DEFESA DA MATERIA: Vereadora TAINÀ VASCONCELOS: “Hoje seria um dia pra comemoramos, pra nós mulheres as coisas nunca seriam fácil, mas nesses últimos anos tem sido mais difícil ainda, jornadas triplas de trabalhos, salários menores, violência física, moral, sexual, patrimonial, feminicídio. Nosso estado foi o que mais apresentou registro de violência contra mulher. Violência sexual primeiro lugar nos noves estados monitorados, violência doméstica, trinta e cinco mil casos, medidas protetivas mais de doze mil solicitações e em Manacapuru foram mil e sessenta e quatro ocorrências durante o ano de dois mil e vinte e cinco. Esses dados nos desanimam, mas é só uma batalha, vamos lutar pra vencer essa guerra, eu como mulher representando cada mulher, comecei as batalhas em prol de cada uma, fiz projetos de leis, sou presidente da comissão de proteção ao direito da mulher e não vamos parar e reafirmar que podemos ser o que quisermos e mesmo assim sermos protagonista de nossas vidas, seja sendo mãe e pai, merendeira, gari, deputada, médica, vereadora, entendam que não queremos lutar pela nossas vidas o tempo todo, não se omitam, não tolerem, participem, falem, exponham. Então hoje comemoramos, mas fica o registro de que precisamos como mulher nos unir para que possamos ter a certeza de voltarmos para nossas casas vivas. Enquanto estamos aqui outras mulheres estão sendo fatalmente assassinada dentro do nosso país. Muito obrigada a todos que puderam comparecer nesse momento nosso que podemos refletir, muito obrigada”. USARAM A PALAVRA: Ilustríssima senhora CRISTIANE GOMES MORAES, secretária de Executiva da infância e juventude: “Quero dizer pra vocês que quando ocupam esse lugar na câmara ou nas secretarias ou governo municipal nos sentimos representada sim. Nós não nos sentimos em nenhum momento diminuídas e a maioria das vezes nós não queremos ser representadas por nenhuma fala de homem que vem usar a tribuna e nos desmerece. Queremos ter voz e direito de fala sim e respeito. Muitas mulheres antecederam, morreram para que hoje nós tivéssemos essa oportunidade, vocês homens que estão aqui saem pra trabalhar o café está pronto, a mulher quando volta da jornada de trabalho ela tem que lavar, passar, organizar pra outro dia, as coisas não são fáceis, mas nós não somos fracas, vamos romper cada obstáculo a frente. A Maysa é uma mulher que mais tem feito trabalho e pouco reconhecimento pela parte da população e a nossa fala é que precisamos caminhar todos juntos, queremos ganhar tudo, mas também queremos respeito, queremos homenagear a todos, meu muito obrigada”. A ilustríssima senhora HARIANY SANTOS CAMPELO, secretária executiva de política para as mulheres: “Olho pro olho de vocês e consigo enxergar mulheres que a gente cruzou a vida uma da outra em algum momento seja pra atender alguma ocorrência sexual contra nossas crianças, seja por alguma violência doméstica de alguma mulher assistida. Orgulha-me vê em Manacapuru uma comunidade de mulheres presente no poder. Dizer que oito de Março não é uma data romântica e não nos respeite e acredito que todas aqui querem ser respeitada e reconhecida nessa casa, na nossa casa e no nosso cotidiano. O noticiário nos lembra o quanto o Brasil o país é violento o quanto ele nos isola, é uma data que a gente está aproveitando pra se juntar como profissionais. Precisamos fazer um pacto pra nos mantermos vivas, que a sociedade nos olhe como ser humanos de igual importância, somos empurrada pra uma realidade que somos vistos como ser humano de segundo e terceiro grau. Faço menção a nossa secretaria para que as pessoas as conheçam o nosso trabalho e olhem para nós como uma estratégia de política pública para atender as mulheres de Manacapuru. Muitas das vezes pegam nossos meios de transporte e se desloca com essa mulher até a delegacia para que registre o boletim de ocorrência e não se perca pelo caminho, para saber onde mora para saber se precisa de um aluguel social ou de uma cesta básica ou de algum acompanhamento psicológico. Não é diferente no hospital, com atendimento as mulheres que foram vítimas o SAVS, é importante que fortaleza as estruturas de saúde também da mesma forma que precisa fortalecer a assistência social e a educação. É importante também saber como Manacapuru funciona para encaminhar essas pessoas de forma adequada com a consciência de que ela vai ser atendida, vamos nos cobrir, nos vestir dessa responsabilidade que carregamos. Não podemos perder oportunidade da gente se juntar, se reconhecer como mulheres e nos defendermos e ter consciência que podemos melhorar em diversos aspectos, furamos a bola e querer mais, queremos um SAMIK, uma lancha da ronda Maria da penha porque a nossa cidade é cercada por comunidades fluviais são mis de trezentas comunidades em Manacapuru. Precisamos dizer que mulheres que não estão presente hoje precisam pensar em política porque a mulher que está trabalhando como diarista e cuidando dos filhos não tem tempo para pensar em política, a gente precisa facilitar ora essas mulheres que trabalham na comunidade, nós vamos fazer um workshop voltado a rede da mulher em Manacapuru e vai ter como público alvo os ACS porque eles tem a capacidade de sentar com a mulher e saber o que está acontecendo e identificar o que está acontecendo, que está mulher esteja sofrendo. Então esse é um chamado para vocês e agradeço por esse momento de conversa e está sendo atingindo nas redes sociais e vamos usar esse espaço com responsabilidade, nós somos a primeira geração de mulheres que somos livres para escolher com quem a gente vai casar escolher se vai ter ou não um relacionamento doentio abusivo, então não se distraiam, vamos fazer o que precisa ser feito, quero agradecer imensamente, muito obrigado agradeço a todos”. Ilustríssima senhora, Cabo RAELI SARAIVA, ronda Maria da Penha: “Nós queremos trazer uma notícia positiva de que a ronda Maria da Penha estava sem viatura rosa, já retornou no domingo com a viatura rosa. Isso reforça o compromisso do governo do estado com as mulheres. Também trazer a boa notícia de que nós recebemos na semana passada e acredito que nessa semana já está chegando o nosso barquinho da ronda Maria da Penha que estará atendendo todas as comunidades rurais. Nós reforçamos aqui o compromisso de segurança para todas as mulheres e aqui eu presto a minha continência as mulheres que estão presentes. E em especial as nossas policiais que garantem dentro e fora da viatura à segurança de todas as mulheres. A gente sabe que a violência no município de Manacapuru é imensa e a gente faz um apelo aqui para que a sociedade junto conosco lute pelos direitos dessas mulheres. No ano passado nós atendemos mais de mil mulheres e nesse ano provavelmente nós vamos dobrar esse número. A quantidade de mulheres no município é altíssima. O município de Manacapuru está em segundo lugar em violência no estado do Amazonas, perdendo apenas para Manaus que é a capital. A gente faz esse apelo para a comunidade, cada um aqui é responsável pelo controle e redução dessa violência. Aquele termo que era usado antigamente, em briga de marido e mulher a gente não mete a colher, a gente mete sim, defende, luta por cada uma delas. Uma ajuda que nós dermos para essa mulher será necessária para ela. Conto com o apoio e reforçamos a nossa responsabilidade através da ronda Maria da Penha do 9º Batalhão da Polícia militar”. Ilustríssima senhora Delegada Dra. JOYCE COELHO, Titular da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente: “Quero aproveitar essa oportunidade para incitar todas vocês a mudar essa mentalidade, equilibrar esse peso. Não vamos romantizar que nós damos conta de tudo. Nós damos porque é o jeito. Porque desde sempre nós fomos ensinadas que ser mulher era isso. Quando é muito normal quando a criança adoece o pai não falta o trabalho, mas a mãe tem que faltar. Quando a babá faltou, a empregada faltou, somos nós que temos de dar o jeito de resolver. Desde sempre a sociedade nos ensinou que ser mulher era carregar essa imensa carga de trabalho. E muitas vezes não somos valorizadas, então a nossa luta é constante. Em meio essa epidemia de feminicídio que o Brasil está passando, muito triste, todos os dias a gente ouve histórias e parece que o nosso enfrentamento não está dando resultado, parece que nós estamos buscando alguma solução. A segurança pública tem trabalhado com muito empenho, as políticas públicas também estão sendo feitas, as leis do poder judiciário estão sendo endurecidas. O feminicídio é um agravamento do homicídio que veio justamente para que a gente reforce a necessidade desse combate. Como mulheres, somos nós que formamos a sociedade, somos nós que gestamos os homens. Somos nós que temos que ensina-los desde pequenos a não serem machistas, a não repetirem frase misógina, muitas vezes em piadas que a gente mesmo diz inocentemente e todo mundo acaba rindo, então a criança cresce com essa mentalidade. Então, eu acho que embora nós tenhamos sido criadas nesse ambiente é hora de a gente virá à chave. E tentar nos colocar no lugar dessa pessoa. Porque tem a campanha do Não é Não. ah, porque ela estava aceitando, ela estava sorrindo, então a partir de um dado momento ela tem que aquentar todas as consequências. Então a gente precisa mudar essa mentalidade principalmente nós mulheres enquanto formadoras dessas crianças. Está faltando educação e nós somos partes crucial desse processo. Manacapuru tem uma rede de proteção muito boa. Eu fiquei muito surpresa. Todos os órgãos têm problemas, mas a gente consegue sim realizar o trabalho. A polícia tem um contingente pouco para a grande demanda de violência que aqui a gente tem, mas a gente consegue se ajudar. Nós não somos fracas a gente consegue, mas a gente precisa equilibrar esse peso. Vamos mudar essa sociedade porque nós mulheres somos também responsáveis por isso”. Ilustríssima senhora MARIA LIMA, Presidente da Cootepla – Associação de Catadores de Materiais Recicláveis: “Sou grata a Deus por esse momento, sou mulher, sou catadora. Nós temos a oportunidade de escolher aquilo que nós queremos ser. Hoje eu como mulher, fui criada por mulher porque meu pai faleceu eu tinha três anos de idade a minha mãe estava gravida da minha irmã que está ali que também é uma mulher guerreira. Eu sou grata a Deus pela vida da minha mãe porque a minha mãe sobe nos criar. Hoje eu sou mãe de três mulheres. Não é fácil você ser mulher, muitas vezes você sofre preconceito, até mesmo por outra mulher, pelo teu corpo, pela tua aparência, pela tua cor. E muita vezes você não conhece o interior daquela pessoa o que ela passa. Hoje temos que se preparar estudar, somos mães. Eu queria que vocês conhecessem o que é ser catadora. Você tem que destampar tampinha por tampinha, porque lá na empresa se você errar, eles condenam o teu material. Em festival que eu participo como recicladora de homens derramarem cerveja na gente. E eu falar não faça isso eu estou trabalhando. Respeite-me como mulher, me respeite como uma profissional. E a pessoa desculpe! Eu não lhe vi, olha o tamanho dessa mulher! Às vezes você passa por preconceito porque você é mulher. Mulher, ela é responsável por tudo. Uma das coisas mais importante na vida além o respeito. É alguém te colocar nas orações. Muitas vezes muitas mulheres tem a força que a Tainá tem, que a Maria José, tem que a delegada tem, às vezes ela tem medo, medo de pedir, medo de denunciar e muitas vezes são mortas. Esse nosso coração ele é bom para umas coisas, mas tinha que ser duro para outras. Eu estou muito feliz! Muito obrigado”. Ilustríssima senhora, Dra. KÁTIA CORRÊA, Médica e obstetra: “Eu estou muito honrada e feliz ao ser convidada para expressar os meus sentimentos em relação as merecidas homenagens as mulheres. Eu entrei aqui no internato rural, ou seja, há trinta anos eu já estive aqui em Manacapuru. Eu tenho paciente aqui com vinte e dois anos que me abordam e eu já tenho feito partos dessas crianças que eu trouxe ao mundo aos vinte e dois anos de idade. Inclusive um meu afilhado que já teve dois bebês. Como médica obstetra e ginecologista, vivencio todos os dias a força dessas mulheres guerreiras, muitas ainda crianças e adolescentes, outras idosas e ao dever cumprida. Na maioria da idade reprodutiva que são acolhidas para dar a luz e aos seus bebês na maternidade. A gente faz laudos e a gente não faz a parte do acolhimento, a gente vai mais para a parte técnica do laudo. Eu tenho medo de questionar aquela mulher que está ali, de dizer será? Para não acontecer isso eu prefiro fazer a parte mais técnica, fazendo direitinho o laudo para a doutora Joyce receber. A partir do dia dois de março e vinte e três a laqueadura a não ser mais autorizada pelo homem, agora é pela mulher. A mulher ela tem o direito de fazer a laqueadura tubária. A idade passou para vinte e um anos de idade. Mulher é símbolo de vida e amor e é tudo que a gente quer. Se precisarem de mim estou sempre a disposição”. Excelentíssima senhora, vereadora SÔNIA ALMEIDA: “Nós já ouvimos tantas coisas bonitas e tantas coisas triste referente a nós mulheres. Mas como hoje é um dia de homenagear, vamos só falar das coisas boas. Das mulheres que estão aqui presente que ocupam um lugar especial na nossa cidade, que ajudam a construir uma sociedade melhor. Em especial quero parabenizar a minha amiga vereadora Tainá e dizer que nós estamos fechadas estou contigo para o que der e vier. Enquanto nós estivermos aqui, estou com você eu te apoio e assim você é comigo. Não é fácil ser mulher. Eu só tenho uma frustração eu não tive tempo de ver as minhas filhas crescerem. Porque eu sempre trabalhei muito. Deus foi tão bondoso comigo que me deu duas meninas gêmeas, que neste ano já fazem vinte e nove anos. Mas eu não pude ter aquele tempo de qualidade. A gente tinha que buscar o alimento, o sustento. E eu como muitas mulheres eu não tinha só um turno de trabalho. Mas era pela necessidade em ter que dar para as minhas filhas o que elas precisavam. Diferente do que elas queriam, porque o que elas queriam eu não pude mesmo. Hoje as minhas filhas são mulheres, eu já tenho uma neta e com a minha neta eu já tenho um tempinho melhor. Essa é a realidade da maioria das mulheres. Nessa manhã de hoje eu sou muito grata a Deus por estar aqui com vocês. O período que passei pelo hospital eu não desejo que ninguém passe pelo que passei. Foi um momento muito difícil quando eu assumi e depois veio a pandemia e eu estava lá. Mas Deus é misericordioso e eu sou sobrevivente. Desejar a todas vocês prosperidades. Não se calem, a menor que seja a afronta ou desafio. Nós somos capazes porque nós somos mulher. Feliz dias de todas nós”. A Presidente em exercício, vereadora Tainá Vasconcelos: “Quero registrar a presença da senhora Mara Regina subsecretária de educação; senhora Maysa Pinheiro diretora do SAAE; senhora Mayara Gadelha diretora da policlínica; senhora Goacy Lima chefe do cerimonial; Senhora Cristiane Moraes, secretária executiva da infância e juventude; senhora Cabo Raieli Saraiva – Ronda Maria da Penha; senhora Jayssa Martins Vasconcelos – Agente de saúde; Dr. Débora Marinho –advogada; senhor Marcelo Albuquerque secretário de meio ambiente; Ivanete Virgínio – Presidente da ACEM; senhora Milca Ruiz – Conselheira Tutelar Zona 1; senhora Kelly Brasil – Coordenadora da Educação Permanente. (continuou lendo a relação de presentes na sessão). A gente agradece a todos. A homenagem ela deixa pra gente uma mensagem, que precisamos ser nós por nós, nós ocupamos cargos que são referências. E nós podemos ser referência mesmo não ocupando determinados cargos e que hoje nós levemos essa mensagem para quem não pode estar aqui. Que hoje nós temos uma rede de apoio que podemos contar com a doutora Joyce na delegacia. Vocês podem contar conosco vereadoras. Vocês podem contar com os conselhos tutelares que estão aqui, com as enfermeiras, com as nossas nutricionistas que estão na atenção básica, com a Mayara que condena a policlínica junto com a dona Carla. Que nós podemos sim ocupar esses espaços, esses espaços são nossos. Mas que nós possamos olhar uma para outra não concorrendo uma com a outra, mas que nós possamos olhar como um elo que vamos nos juntar para que possamos chegar aonde nós queremos. Obrigado contem sempre com essa vereadora”.